Encontro 06 · Laboratório

Material das oficinas da Semana 6

Nada para imprimir: cada grupo abre por aqui só o próprio cartão. Cinco grupos, cinco ângulos, e os mesmos cinco no Bloco 2, com a IA no lugar da patente e uma pergunta para responder por escrito.

O mapa causal entre concorrência, patentes, entrada e produtividade

Oficina I · Bloco 1 · 20 minutos

Vocês vão construir, em grupo, o mapa causal entre concorrência, patentes, entrada de firmas, inovação e produtividade que o Movimento 4 esboçou, e cada grupo ataca esse mapa por um ângulo diferente. Nos últimos 3 minutos, os Grupos 1 e 2 se enfrentam primeiro: é a única discordância genuinamente direta da sala.

A tarefa, igual para todos

  1. 1Escrever a alegação do seu grupo em uma frase.
  2. 2Apontar o número da folha que a sustenta (Grupo 5: o mecanismo do Movimento 4, sem número).
  3. 3Responder: essa alegação é testável com o que está na mesa, ou falta dado? Se faltar, que dado.
  4. 4Preparar defesa de dois minutos.

Grupo 1 de 5

1 · Romer

Ideias não rivais e exclusividade parcial explicam por que o país rico investe mais em P&D.

O que está na mesa

Romer (1990): uma ideia não rival pode ser usada por qualquer número de pessoas ao mesmo tempo sem se esgotar, mas alguém só paga para criá-la primeiro se tiver exclusividade parcial e temporária (patente, segredo industrial) que gere lucro de monopólio.

Israel investe 6,35% do PIB em P&D, o maior do recorte, e tem PIB per capita PPP de US$ 47.671. Coreia do Sul investe 4,94% e tem US$ 54.029.

Quanto maior a exclusividade que a lei garante ao inventor, maior o incentivo esperado, e mais o país investe em P&D.

As perguntas deste grupo, nesta ordem

  1. 1Seu número também sustenta a história do Grupo 2 (causalidade inversa: é a renda que financia o P&D, não o contrário); como vocês distinguem uma leitura da outra só com isto na mesa?
  2. 2Vocês falam primeiro no retorno relâmpago. Preparem a frase que resiste à resposta do Grupo 2.

É testável com o que está na mesa, mas não decide a direção da causalidade sozinho, e dizer isso em voz alta na defesa vale mais do que fingir que a correlação basta.

Grupo 2 de 5

2 · Causalidade inversa

É a renda que financia o P&D, não o contrário.

O que está na mesa

A mesma correlação P&D×renda dos 20 países do recorte é compatível com as duas direções: um país rico pode simplesmente ter mais dinheiro sobrando para pesquisa.

Israel: 6,35% do PIB em P&D, US$ 47.671 per capita. México: 0,27%, US$ 21.865. A distância de renda entre os dois é de 2,2×, bem menor que a distância de P&D, 23,8×.

P&D pode ser um gasto de "luxo" com elasticidade-renda maior que 1: o mesmo padrão de bens supérfluos que sobem mais que proporcionalmente com a renda.

As perguntas deste grupo, nesta ordem

  1. 1O Grupo 1 vai defender que ideias não rivais explicam o gasto do rico. Preparem a resposta direta: por que o número dele não decide contra vocês?
  2. 2Mais dados do mesmo tipo (P&D×renda, mais países) resolveriam o desacordo, ou é preciso outro desenho de pesquisa?

Vocês têm a réplica mais fácil de preparar da noite: a mesma tabela do Grupo 1 é compatível com a história de vocês. O trabalho é mostrar isso na defesa, não trazer um número novo.

Grupo 3 de 5

3 · Quantidade não é qualidade

Contagem bruta de patente engana: o que importa é intensidade por habitante, e a China lidera a primeira e perde a segunda.

O que está na mesa

China: 1.642.507 pedidos de patente de residentes em 2023, mais que Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul e Alemanha somados (1.353.784). Mas só 1.164 por milhão de habitantes, atrás da Coreia (5.568) e de Singapura (1.573).

Parte do volume da China reflete política pública que subsidia diretamente o número de pedidos, o que empurra quantidade sem empurrar qualidade necessariamente.

As perguntas deste grupo, nesta ordem

  1. 1Se a China parasse de subsidiar pedido de patente amanhã, o que essa tabela deixaria de mostrar?
  2. 2Uma medida de qualidade por patente (citação, taxa de renovação, valor de mercado) separaria as duas explicações; por que ela não está nesta mesa?

Nenhuma coluna deste recorte separa acúmulo tecnológico genuíno de subsídio ao número de pedidos, e dizer isso é parte da defesa, não uma admissão de derrota.

Grupo 4 de 5

4 · Instituições

O mapa causal do Movimento 4 (concorrência, proteção à propriedade) é o que decide onde a inovação acontece.

O que está na mesa

Coreia do Sul: estado de direito NaN, PIB per capita PPP US$ 54.029. Brasil: estado de direito NaN, US$ 19.080.

A distância de renda (2,8×) acompanha uma distância institucional de mais de NaN desvio-padrão.

É a mesma pergunta da Semana 4 (regra causa renda, renda causa regra, ou uma terceira coisa causa as duas), agora sobre a taxa de retorno de inventar, não de investir.

As perguntas deste grupo, nesta ordem

  1. 1O estado de direito de hoje é o da Coreia já rica. A Coreia de 1965 seria compatível com a própria história que vocês estão defendendo?

Ressalva que vale contar: a proteção de PI forte da Coreia é a Coreia de hoje: o país cresceu décadas (1960–1990) copiando tecnologia estrangeira sob PI deliberadamente fraca, e só apertou a lei depois de já rica.

Grupo 5 de 5

5 · U invertido

Nem monopólio puro nem concorrência perfeita maximizam inovação: o ponto certo fica no meio.

O que está na mesa

Aghion et al. (2005): pouca proteção mata o incentivo, porque qualquer um copia. Concorrência demais também mata, porque o lucro do vencedor é curto demais. E concorrência de menos mata do outro lado, porque quem já domina o mercado não tem pressa para inovar.

Um exemplo real do próprio artigo: quando empresas estrangeiras entram num setor, a inovação sobe nas empresas domésticas que já estavam perto da fronteira tecnológica, e cai nas que estavam mais atrás: o mesmo choque de concorrência produz efeitos opostos dependendo de onde a empresa já estava.

Este grupo, sozinho entre os cinco, não tem tabela numérica própria, de propósito: é o único ângulo teórico, não um número do recorte.

As perguntas deste grupo, nesta ordem

  1. 1A curva em si é testável com os 20 países desta mesa? O que faltaria medir para testar de verdade?
  2. 2Os chaebols coreanos são grandes e concentrados dentro dos próprios setores; isso contradiz o U invertido? (são duas réguas diferentes: nível da firma contra nível do país.)

A resposta certa ao item 3 da tarefa é que a curva não é testável com os 20 países do recorte: precisaria de uma medida de concorrência por país, que não está na tabela. Dizer isso é o próprio ponto do grupo, não uma derrota.

O mesmo ângulo, outro objeto: o seu argumento sobrevive à IA?

Oficina II · Bloco 2 · 25 minutos

Ninguém troca de bancada nem de ângulo. Uma pergunta por grupo, respondida por escrito. A discussão vem depois de entregar.

A tarefa, igual para todos

  1. 1Responder a pergunta do cartão por escrito, até cinco linhas.
  2. 2Dizer com qual número do Bloco 2 vocês responderam. Resposta sem número não conta.
  3. 3O veredito do ângulo: atravessa inteiro, atravessa com uma peça a menos (qual), ou não atravessa (o que quebra). Mais a condição que mudaria isso.
  4. 4Uma folha por bancada, com os nomes de quem assinou cada linha.

Grupo 1 de 5

1 · Romer

Sem exclusividade parcial, ninguém paga para inventar. E um modelo de IA é copiável.

O que está na mesa

Vocês defenderam: ideias não rivais + exclusividade parcial + lucro de monopólio = incentivo a inventar. Tire uma peça e o motor para.

Um modelo treinado custa caro uma vez e é copiado a custo quase zero. Com pesos abertos, a exclusividade cai para perto de zero, e o treino seguinte continua caro. A projeção de 0,66% de PTF em dez anos (Acemoglu, 2024) supõe que esse treino aconteça.

As perguntas deste grupo, nesta ordem

  1. 1Se qualquer concorrente baixa um modelo de pesos abertos e usa de graça, quem paga o treino do próximo modelo de fronteira? Qual das três peças da equação fica ameaçada, e o motor gira sem ela?

Patente, segredo, vantagem de ser o primeiro, escala de dados, capital: cada substituto implica uma política diferente. Digam qual escolheram.

Grupo 2 de 5

2 · Causalidade inversa

É a renda que financia o preparo, não o contrário. A mesma dúvida, terceira vez.

O que está na mesa

Preparo para IA (FMI, 0 a 1): Singapura 0,80 (1º de 174), Bangladesh 0,38 (113º). Por grupo de renda: avançadas 0,68, emergentes 0,46, renda baixa 0,32.

É a nuvem de pontos do Bloco 1 com outra variável no eixo: preparo no lugar de P&D, renda do outro lado.

As perguntas deste grupo, nesta ordem

  1. 1A IA vai enriquecer quem está preparado, ou o preparo é só o que a riqueza já comprou? Qual das duas direções estes números sustentam, e o que precisaria ser medido para decidir?

Terceira aparição da armadilha: Semana 4 com instituições, Bloco 1 com P&D, agora com preparo. Se a resposta for a mesma das três vezes, isso é um resultado.

Grupo 3 de 5

3 · Quantidade não é qualidade

Capacidade técnica não é ganho medido, assim como patente contada não é inovação.

O que está na mesa

A previsão de Acemoglu é uma multiplicação: 0,20 de tarefas expostas × 0,23 automatizáveis com lucro × 0,144 de corte de custo = 0,66% de PTF em dez anos.

O primeiro fator é capacidade técnica, o segundo é adoção, o terceiro é ganho por tarefa. Calculadora na mão.

As perguntas deste grupo, nesta ordem

  1. 1Dobrem a exposição (0,20 para 0,40); depois, no lugar disso, a fração automatizável (0,23 para 0,46). Escrevam os dois resultados. São diferentes? Qual dos dois fatores a manchete noticia?

Se os dois derem iguais, não é erro: é o achado do grupo. Numa multiplicação nenhum fator manda mais que o outro, e ainda assim só um vira notícia.

Grupo 4 de 5

4 · Instituições

A regra decide quem captura o ganho. Com IA, a tecnologia chega junto nos dois países.

O que está na mesa

O índice do FMI tem quatro dimensões: infraestrutura digital, capital humano e mercado de trabalho, inovação e integração econômica, regulação e ética.

Singapura marca 0,80 e Bangladesh 0,38. Um modelo lançado hoje está disponível para os dois no mesmo dia, pelo mesmo preço: não há atraso de difusão física a explicar a diferença.

As perguntas deste grupo, nesta ordem

  1. 1Se a tecnologia chega aos dois ao mesmo tempo e pelo mesmo preço, por que o ganho esperado é diferente? Nomeiem as duas dimensões que sustentam a resposta, e digam se um país as constrói em dez anos.

O Brasil não tem índice confirmado neste recorte. Se a resposta depender de saber onde ele cai, digam isso: é lacuna de dado real.

Grupo 5 de 5

5 · U invertido

Nem monopólio puro nem concorrência perfeita maximizam inovação. A fronteira da IA está longe do meio.

O que está na mesa

Aghion et al. (2005): pouca concorrência tira a pressa de quem domina; concorrência demais encurta o lucro do vencedor a ponto de não compensar o risco.

Treinar um modelo de fronteira custa bilhões e está em meia dúzia de laboratórios. Ao mesmo tempo, versões abertas e baratas aparecem meses depois de cada avanço. Como no Bloco 1, vocês não têm tabela própria: não há medida de concorrência no recorte.

As perguntas deste grupo, nesta ordem

  1. 1A fronteira concentrada em meia dúzia de laboratórios é o ponto de inovação máxima do U, ou o extremo do monopólio? Que medida decidiria, e por que ela não está nesta mesa?

Dizer que não é decidível com o que está na mesa continua valendo, desde que venha com a medida que faltou.

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